Por Roberto Kuppê (*)
Tem um velho ditado que diz, “quem procura, acha”. Ou “quem planta vento, colhe tempestade”. O jogador Neymar, camisa 10 da seleção brasileira, está vivendo seu inferno astral. Qualquer semelhança com o inferno astral no qual o presidente Bolsonaro está vivendo, é mera coincidência. Mentira! Não é coincidência. É consequência.
Parece que o plano celestial não está de acordo com as atitudes de ambos, Neymar e Bolsonaro. Chove incessantemente em Brasília, onde “manifestantes” invocam a volta da ditadura militar. Torrencialmente, diria. É chuva, mermão. São Pedro não está dando trégua: “Perdeu, mané”. Só que os “manifestantes” não estão entendendo o recado. Mas, vão ter que entender.
Bolsonaro está desesperado porque sabe que será preso quando botar o pé fora do Palácio do Planalto e, por isso, usa seus seguidores como massa de manobra. Pior que todas as tentativas de melar os resultados das eleições de 2022 estão sendo em vão. Muito pior. O tiro está saindo pela culatra. Quase no mesmo dia em que Xandão (desculpa a intimidade) impôs uma multa de R$ 22 milhões em vez de cancelar as eleições, Neymar torce o tornozelo e fica fora da primeira fase da Copa do Mundo no Catar. Capaz de ficar fora das oitavas e até da final. Os richarlisominions agradecem.
Antes do entorse no tornozelo, Neymar já anunciara que esta seria a sua última copa. Não deixará saudades. Marrento, Neymar coleciona mais críticas do que troféus de melhor jogador do mundo, sempre vencidos por Cristiano Ronaldo ou Messi. Bom de bola em campo, mau exemplo fora dele, Neymar está sendo processado pela Receita Federal para pagar impostos atrasados e por fraudes nas transações de sua transferência para o Barcelona.
Politicamente incorreto, Neymar não se envolve com projetos sociais. Durante a pandemia não se pronunciou, não incentivou a vacina, muito pelo contrário, apoiou o negacionismo de Bolsonaro. Aliás, declarou voto para Bolsonaro, mesmo com a proibição da CBF de se manifestar politicamente para não contaminar o ambiente da seleção. Não deu ouvidos para o Tite que mal o suporta e não vê a hora de se libertar do “mito” do futebol.
Sobre a “torcida” contra Neymar nas redes sociais, é apenas o resultado do que ele plantou. Não tem como torcer a favor de quem não se esforça o mínimo para ser simpático.
Ah, e por que todos estão, eis que de repente, idolatrando o jovem Richarlison? Além do gol espetacular que fez, Richarlison jogou a Copa América com uma chuteira em homenagem à ciência, depois fez um leilão da chuteira e doou o valor pra galera da USP que fazia pesquisa sobre Covid. O jogador capixaba tem uma casa de apoio em Barretos que atende familiares de pacientes com câncer em tratamento. Sem se posicionar politicamente (não fez explicitamente o L), Richarlison se posicionou socialmente, contra a fome, contra o desmatamento da Amazônia.
Em outras palavras, Neymar e Bolsonaro estão saindo do futebol e da política pela porta dos fundos. E Richarlison entrando para a história do futebol, ao mesmo tempo em que Lula volta à presidência da República. É o plano celestial mandando recado.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político



