Por Roberto Kuppê (*)
De acordo com as pesquisas e se nenhum “fato novo” ocorrer, Lula será eleito presidente da República no próximo domingo. As pesquisas sérias garantem a vitória do ex-presidente. O ato insano do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) no último domingo foi o prego que faltava para fechar o caixão do fascismo. Graças ao policial federal o desfecho não foi uma tragédia. Policiais federais e o próprio ex-deputado poderiam ter morrido, o que certamente traria consequências inimagináveis.
Mas, o ato insano de Jefferson tem um mau exemplo vindo de cima. Segundo lembrou a Folha, o presidente Bolsonaro já afirmou a políticos e a autoridades de Brasília que reagiria a bala caso tentassem prendê-lo. A fala do presidente da República, dita inclusive a autoridades, foi levada a sério e assustou seus interlocutores na época. Interlocutores do presidente, inclusive de seu governo, afirmavam na época que ele estava “transtornado” com a possibilidade e afirmava que reagiria à tentativa de prisão, não se deixando capturar com facilidade. Nas conversas, ele dizia que poderia haver “morte” caso tentassem levá-lo preso.
O site “Metrópoles” relatou também naquele mês a mesma reação de Bolsonaro quando o assunto era a possibilidade de ser preso. E disse que ele chegou a afirmar: “Eu atiro para matar, mas ninguém me leva preso. Prefiro morrer”. Bolsonaro nunca desmentiu as informações publicadas pela Folha e pelo “Metrópoles”. A Folha voltou a conversar nesta segunda (24) com uma autoridade que ouviu a frase da boca do presidente. Ela voltou a confirmar que, de fato, Bolsonaro dizia isso em agosto, em momentos de maior tensão. Na época, dois ministros do governo afirmaram à Folha que já tinham ouvido Bolsonaro falar sobre a possibilidade de ser detido em mais de uma ocasião.
O tom, no entanto, não seria de nervosismo, mas, sim, de mera constatação sobre uma suposta perseguição que ele poderia sofrer se perdesse o mandato. Um dos ministros afirmou que o presidente dizia saber o que aconteceria com ele em caso de derrota. “Você acha que eu não sei?”, teria dito o presidente, de acordo com esse auxiliar, sobre uma possível ordem de prisão.
De acordo com relatos feitos à Folha naquele mês, Bolsonaro demonstrava nervosismo e repetia frases semelhantes à que disse em um discurso no dia 7 de setembro do ano passado, em um ato na avenida Paulista, em São Paulo: “Nunca serei preso”.
Na mesma manifestação, ele disse ainda que poderia sair do Palácio “preso, morto ou com vitória”. A primeira hipótese estaria descartada.
No domingo (23), Bolsonaro atacou o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) por ter resistido a uma ordem de prisão e atirado, inclusive, granadas em agentes da Polícia Federal que foram à sua casa para cumprir uma ordem de prisão.
(*) Com informações da Folha de S. Paulo



