A enchente histórica do rio Madeira na capital de Rondônia em fevereiro de 2014 é, sem dúvida, a maior já registrada desde que as medições começaram a ser feitas, ainda em 1967, quando o estado nem existia.
Os dados disponibilizados pela Companhia de Pesquisas de Recursos Ambientais (CPRM) e pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que no episódio de 1982, ano da criação do estado de Rondônia, o nível do Madeira na capital rondoniense chegou a 17,15 metros.
Dois anos depois, em 1986, outra grande enchente em Porto Velho afetou por semanas, centenas de moradores, com as mesmas visões da atualidade. Bairros inteiros alagados e estradas bloqueadas. O nível máximo aferido pelo órgão chegou a 17,25 metros.
Em 1997, o ápice foi de 17,51 metros, considerada até então, a maior enchente em questões de níveis telemétricos.
Agora em 2014, a enchente em Porto Velho foi além. Neste sábado (22), a régua da ANA acusou nível de 18,23 metros às 22h30min (local).
ENCHENTE DO MADEIRA SUPERA EM NÍVEL E EM NÚMERO DE AFETADOS EVENTOS DE 1982, 1984, 1986 E 1997 EM PORTO VELHO
ENTREVISTA DO ENTÃO GOVERNADOR IVO CASSOL DEFENDENDO AS USINAS, EM 2009

Em 2009, o então governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP) defendia, assim como Hermínio Coelho, a construção das usinas de Jirau e Santo Antônio. Cassol chegou a acusar ONGs de receber dinheiro para impedir a construção.Também disse que não seria por causa de meia dúzia de pessoas ou meia dúzia de bagres que a usina ia deixar de ser construída. Cinco anos depois, tanto Hermínio Coelho quanto Ivo Cassol questionam as enchentes causadas pelas usinas. Leia a entrevista concedida a Agencia Brasil em 2009.
Da Redação com Agência Brasil
Porto Velho – O potencial do Rio Madeira para geração de energia é parte de uma riqueza que não está sendo aproveitada, avalia o governador de Rondônia, Ivo Cassol. Em entrevista à Radiobrás, ele diz que a construção das usinas de Jirau e Santo Antônio vai gerar 30 mil empregos diretos e 100 mil indiretos, e que o estado receberá “de braços abertos” as pessoas que chegarem com a migração prevista. Também defende que o interesse nacional da obra se sobrepõe ao das comunidades que terão de ser deslocadas: “Se tiver meia dúzia de famílias, isso não vai atrapalhar milhões de pessoas que precisam dessa energia”.
Agência Brasil: Quais são os pontos positivos da construção das usinas em Rondônia?
Ivo Cassol: O grande ponto positivo é nos aproveitarmos a riqueza que o estado tem e não está sendo aproveitada. Esse projeto é diferente de Itaipu, das usinas com alagamentos, com impacto ambiental muito grande. Simplesmente, nós temos a cheia e permanecendo cheia, com isso aproveitando o fluxo normal. Da água do Rio Madeira para gerar energia não só para Rondônia, mas para o Brasil inteiro. Ou o Brasil constrói novas hidrelétricas ou arruma um outro sistema que possa gerar energia, ou vai ficar no escuro. Para Rondônia é ótimo, porque nós vamos ter 30 mil empregos diretos, mais de 100 mil indiretos, dar essa expectativa de uma condição de vida melhor para o povo.
ABr: O estado está preparado para o fluxo migratório que pode acontecer?
Cassol: Se nós formos ver pelo lado negativo, “porque tem malária”, “porque tem isso”… Nós já temos a questão da malária, ainda não foi descoberta uma vacina que evite a propagação. O que nós temos que fazer é continuar combatendo. Da mesma maneira, se nós vermos o problema social. Já está faltando água aqui em Porto Velho, faltando esgoto, o que falta para nós é recurso. Os organismos internacionais e o próprio governo federal nos cobram muito, nos prometem bastante e não nos dão nada. Então, nós temos que aproveitar essa potencialidade que o estado tem, mesmo que tenha uma migração um pouco maior, não acredito que vai ser tão grande. Mesmo vindo mais cidadãos brasileiros para Rondônia, nós vamos receber de braços abertos e estaremos preparados para isso.
ABr: O que o estado vai fazer para evitar a proliferação da malária?
Cassol: Aumenta o número da malária quando você tem a cheia e depois tem a seca, quando prolifera o mosquito. Com a cheia normal, natural, simplesmente a água vai estar naquele patamar o tempo inteiro. Porque, nas usinas do Madeira, o fluxo é normal. Não é uma barragem para poder fazer um armazenamento de água. Conforme a água entra, ela sai. O resto é conversa fiada. O que nós precisamos é o governo federal voltar a fazer o dever de casa, assumir a Funasa [Fundação Nacional da Saúde], que são os “malarientos”, como a gente dizia, o pessoal que cuidava da malária, que hoje colocaram nas mãos do município. Foi no governo passado, eu era prefeito e dizia que não funcionava. Esses servidores federais que estão à disposição dos municípios para combater a malária, infelizmente a maioria dos municípios não trabalha. Ou não tem carro, ou não tem estrutura, ou não tem condições de fazer o trabalho.
ABr: Como fazer com as pessoas que serão desabrigadas pelas barragens?
Cassol: Pode ter certeza de que desabrigado não tem. Não tem os das barragens não sei o que, isso é pura fanfarra. Se tiver algum pode ter certeza de que dentro do projeto já tem recurso alocado para ele se transferir com a sua moradia, com o seu conforto no mínimo mil vezes melhor. Se tiver meia dúzia de famílias, isso não vai atrapalhar milhões de pessoas que precisam dessa energia. [O estudo de impacto ambiental prevê que quatro comunidades serão afetadas; para o Ibama, serão seis.] É o povo brasileiro, o povo de Brasília, o povo do Rio, de São Paulo, dos grandes centros, que precisa dessa energia. Energia limpa.
ABr: Para alguns dos críticos do projeto, o problema maior é a intenção de fazer uma hidrovia com o Madeira…
Cassol: O rio Madeira é navegável, tanto que a produção de soja do Mato grosso, a produção de milho, mesmo carne, o produto que é feito na Zona Franca de Manaus, geladeiras, televisões, sobe o rio até Porto Velho e aqui acaba sendo distribuído para o Brasil inteiro. Além disso, tem o Aeroporto Internacional de Manaus, que leva para outros países. Nós temos a cachoeira, ela é intransponível hoje, e com as eclusas o rio vai se tornar navegável. Nós podemos sair daqui e ir até Vila Bela, no Mato Grosso. Lógico para isso seria preciso construir mais duas usinas para cima. Então as eclusas é simplesmente você ir projetando o futuro. Senão, lá na frente, você precisa depois o triplo do dinheiro para fazer. Num projeto desses tem que deixar prevenido uma obra estruturante para que a gente possa desenvolver as regiões sem ter medo de devastação. O que nós temos que ter é medidas rigorosas em locais proibidos, e em Rondônia nós temos o zoneamento socioeconômico, que foi aprovado e diz o que pode e o que não pode. E onde não pode, não pode, acabou.
ABr: Há fiscalização?
Cassol: Lógico. Nós acompanhamos passo a passo. E as áreas que têm migração, invasão, são áreas devolutas, da União, onde quem devia estar atuando é a União. Das derrubadas que acontecem no estado, 95% você pode ter certeza que é nessas áreas.
ABr: Existem denúncias de que o governo está usando a estrutura do estado para colher assinaturas em favor das usinas. Isso procede, está acontecendo?
Cassol: Eu quero que esses segmentos aí expliquem para o povo de onde eles tiram dinheiro para ficar aqui em Porto Velho. O que eu estou defendendo é a economia do estado de Rondônia. O que a sociedade num todo está defendendo são obras necessárias para o Brasil. Em cada local está lá o abaixo-assinado que as pessoas podem assinar. E ninguém é obrigado a assinar.
ABr: E nas escolas, estão sendo colhidas assinaturas?
Cassol: Em todos os lugares estamos colhendo assinaturas. E pegando opinião não só do comércio, mas também dos nossos alunos. Todo mundo que queira participar para dar o seu depoimento, pró ou contra, nos ajuda. Mas, para nossa alegria, estamos aí com 99,9% das pessoas favoráveis.
ABr: Mas o que se fala é que as pessoas estão sendo coagidas, estão sendo forçadas, que tem uma barganha para que elas assinem.
Cassol: Essa barganha que eles estão falando é igual história de Papai Noel. Vou te dar outro exemplo. Nós temos em Rondônia a maior jazida de diamante do mundo. Praticamente paga a dívida externa. Eu denunciei, em 2003, com documento assinado para o ministro da Justiça, para o presidente Lula, que ia acontecer uma chacina lá dentro, falei que estão levando embora o nosso diamante. Passaram-se quatro anos, a exploração ilegal continua. Quem é beneficiado com aquela riqueza? São bandidos, estão financiando alguma coisa por esse mundo afora e não fica nada para Rondônia, para o município e para o governo federal. Toda vez tentaram me envolver como se eu fosse uma pessoa beneficiada. Mas o único que teve coragem de denunciar a extração foi o governador Ivo Cassol. Aí montam um grupo de trabalho, mandam uma equipe para cá só para ganhar diária e mordomia.
Agência Brasil: O senhor falou que ONGs internacionais estão dificultando a construção das usinas. O que o senhor está fazendo em relação a isso?
Ivo Cassol: Nós não temos como competir. Porque esses países querem que o Brasil viva com o pires na mão pedindo esmola. Se deixar o Brasil produzir, nós já, já, teremos dinheiro suficiente para emprestar para os americanos se for preciso. Essas ONGs, esses ambientalistas de sala de ar-condicionado, gostam de uma água gelada, gostam de assistir a um jogo da Copa do Mundo, de andar com sapatinho de couro, com uma calça boa de algodão. E tudo isso, para poder produzir, de uma maneira ou de outra tem que desmatar, mudar. Mas o homem é tão inteligente que, ao mesmo tempo, se você derrubar dez árvores, pode plantar milhares. Eu vi uma entrevista que dizia que as usinas não podiam sair por causa de meia dúzia de bagres. Hoje a gente faz a criação de alevinos em tanques, em laboratórios, e pode distribuir milhares de peixes em todos os lagos e rios em que for preciso. Em qualquer usina hidrelétrica o homem faz as escadas, faz a eclusa. Essas pessoas que estão contra é porque estão ganhando de alguém para ser contra. Eu queria que eles estivessem lá em São Paulo, no 30º andar, e acabasse a energia lá em cima. Quem não gosta de ter um conforto? De ter uma televisão, uma geladeira?
Cassol acusa “organismos internacionais”
ABr: De quem essas pessoas estão recebendo?
Cassol: Pode ter certeza de que são organismos internacionais que estão plantando no Brasil para que o país fique como escravo a vida inteira. Eu não tenho nomes, mas o dinheiro não cai do céu. Naqueles outros países ninguém preservou, nós estamos preservando. Quando nos colocam o quanto nós desmatamos, ninguém diz o tanto que nós preservamos. Um exemplo: em Rondônia, mais de 75% das nossas matas são reserva biológica ou área indígena, ou reservas estaduais, ou dentro da própria manutenção que os proprietários têm que fazer, obrigatória no Código Florestal. Mesmo estando na Região Norte, queremos sobreviver como verdadeiros cidadãos, no mundo globalizado e informatizado. É muito fácil os que ficam voando de jatinho dizer que nós temos que continuar na época da pedra.
ABr: O que o senhor acha da legislação ambiental brasileira? Setores do empresariado e do governo falam dela como um entrave para o desenvolvimento.
Cassol: Fizeram tantas leis nesse país que não se cumpre a metade. O próprio governo federal, o próprio PT, que tanto pregou e fez essas leis no passado, hoje tem dificuldades para desenvolver o Brasil. As nossas leis têm que ser revistas. Vocês têm conhecimento da fotossíntese das nossas matas: quando elas estão maduras, soltam gás carbônico e ficam consumindo oxigênio. Então nós temos que ter mata renovável. Agora, não é só a Amazônia para preservar. Os Estados Unidos têm que largar menos poluente no ar. A minha proposta é que as pessoas que vivem na Amazônia têm que ser compensadas ou com R$ 1 ou com R$ 10 por hectare todo mês para não precisar desmatar mais. E nós queremos atrair os turistas para cá, trazer oportunidades de emprego e de trabalho. Entre uma árvore e o ser humano, eu fico com o ser humano. Entre um animal e o ser humano, eu fico com o ser humano. Mas nós, como seres humanos, somos tão inteligentes que nós não precisamos exterminar nada.
ELEIÇÕES 2014: PT, PSDB E PSB VÃO INVESTIR 30 MILHÕES DE REAIS EM ATIVISTAS VIRTUAIS
Com um investimento milionário, PT, PSDB e PSB planejam mobilizar 90 mil ativistas da internet. Eles podem ser os grandes cabos eleitorais numa eleição em que a guerra digital será decisiva para a vitória nas urnas.
Embora a internet já tenha sido um campo de batalha importante em 2010, na expectativa dos marqueteiros dos principais partidos, a guerra pelas redes sociais na campanha presidencial deste ano será ainda mais acirrada e poderá ser decisiva para o triunfo eleitoral. Se é verdade que a propaganda na tevê conserva sua importância e mantém-se como destino preferencial dos gastos dos candidatos, no meio político existe também a convicção de que a internet está destinada este ano a se tornar o espaço prioritário para o eleitor resolver dúvidas, confrontar propostas e, numa função ativa que só as redes sociais permitem, combater no corpo a corpo pelo candidato de sua preferência. Hoje, 105 milhões de pessoas têm acesso à internet no Brasil e cada uma delas costuma passar em média duas horas por dia conectada à rede. Na internet, o brasileiro já faz compras, tira diploma universitário e até se casa com ajuda das redes sociais. É muito provável também que a internet seja usada pelo eleitor para definir seu candidato presidencial. A partir dessa percepção, a pré-candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) já começaram a montar seus bunkers digitais. Leia Matéria completa AQUI
SOBE PARA 59 O NÚMERO DE MORTOS NA MAIOR ENCHENTE QUE A BOLÍVIA JÁ VIU

As chuvas e inundações que atingem a Bolívia há semanas já deixaram 59 pessoas mortas, mais de 59.800 famílias desabrigadas e 108.000 carcaças (gado morto), informaram hoje, sábado, fontes oficiais.
“Fazendo um balanço, as famílias atingidas ascenderam a 59.800, em circunstâncias diferentes, causadas pelas chuvas, 59 pessoas foram mortas,” disse Saavedra, que acompanhou esta manhã o presidente Evo Morales na entrega de barcos para o resgate de animais na vila de Santa Ana de Yacuma beniano.
Enquanto isso, o presidente da Federação dos Criadores de Beni, Mario Hurtado, disse a mídia local que morreram mais de 108.000 cabeças de gado e mais de 500 mil cabeças estão em risco devido as inundações na região.
Ele acrescentou que as perdas para os agricultores mais de 65 milhões de dólares.
Ao fazer a entrega de barcos para salvar o gado, Morales expressou hoje preocupação porque, disse ele, chuvas e inundações registradas este ano são mais fortes do que o que ocorreu em seus três primeiros anos como presidente da Bolívia.
“O que está acontecendo, especialmente no departamento de Beni é algo nunca visto na história da Bolívia,” disse Evo.
De acordo com um relatório oficial, Bolívia está recebendo ajuda de Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, Reino Unido, Peru e agências das Nações Unidas, Banco Interamericano de desenvolvimento e o banco de desenvolvimento da América Latina (CAF), bem como empresas privadas como o espanhol petrolífera Repsol.
O ministro Saavedra disse que existem 450 toneladas de ajuda humanitária para as vítimas e que desse número, 230 toneladas têm sido destinadas a Beni.
Tsunami na Amazônia
O rio Madeira é o afluente do Amazonas, o maior rio do planeta com maior volume de água (e de sedimento). Ontem sua vazão passou de 51 milhões de litros de água por segundo. É a maior já registrada em 100 anos no posto de Porto Velho, a capital de Rondônia. Com 500 mil habitantes, a cidade é o local mais atingido pela elevação do rio, que está 18 metros acima do seu nível normal. Mais de duas mil famílias já tiveram que abandonar suas casas.
Os danos, já avaliados em R$ 360 milhões, têm a dimensão dessa vasta bacia. Como consequência, o Estado do Acre, a oeste, ficou isolado por terra do restante do Brasil. Se o Madeira continua a ter o incremento das últimas semanas, o estado de alerta, que atingiu o nível 2, poderá chegar à etapa seguinte e final, o nível 3. Será uma tragédia.
A esperança é de que o rio possa ter um refluxo. Parou de chover em parte das suas cabeceiras. Logo, essa estiagem (que pode ser interrompida) deverá influir sobre o curso do rio, diminuindo o seu volume. Mas os estragos deverão continuar. A estação das chuvas se estende até abril.
Quem mora na Amazônia está acostumado às cheias. Elas ocorrem durante metade do ano na grande bacia, que abrange 3,5 milhões de quilômetros quadrados. Os outros seis meses são de vazante. Mas, quando o rio tufa desse tamanho, dá medo e causa profundos danos. A imagem do dilúvio deixa de ser um exagero diante desses paquidermes aquáticos, que atingem milhares de quilômetros de extensão.
Rondônia, porém, vive uma experiência diferente. O crescimento sem igual em um século do rio encontrou em seu caminho duas das maiores hidrelétricas do país, já em fase de operação. Foi o primeiro confronto do rio em sua plenitude conhecida e as duas enormes obras de concreto e ferro do homem, capazes de fornecer energia a seis milhões de pessoas. Uma peleja inédita naquela região. E ainda pouco conhecida no Brasil. Tanto que a opinião pública nacional não está se dando conta da gravidade da situação na bacia do Madeira. Nem mesmo a mídia.
Em Porto Velho logo começou a circular o boato de que as duas barragens não suportariam a pressão excepcional das águas e romperiam. Um jornalista chegou a antecipar no seu blog que 50 mil pessoas morreriam afogadas se acontecesse o acidente. Seria o tsunami amazônico.
O boato escandaloso tem alguma razão de ser. O que estava ameaçado (ameaça ainda não totalmente descartada) era a ensecadeira de terra construída em frente à barragem da hidrelétrica de Jirau, a primeira das usinas no sentido do curso do rio. É uma barragem provisória para permitir a construção em seco. Quando a estrutura fica pronta, a ensecadeira é desfeita.
Por coincidência, no exato momento em que o Madeira atingiu seu pique de vazão, de mais de 51 mil metros cúbicos de água por segundo, entrava em operação a 30ª das 50 unidades geradoras de Jirau, que passava a produzir 2.150 MW dos 3.750 MW que constituem sua capacidade nominal de energia (semelhante à da hidrelétrica seguinte, de Santo Antonio).
Talvez a ensecadeira já tivesse sido destruída se um incidente providencial não tivesse acontecido. Para gerar ainda mais energia do que a capacidade de projeto, a hidrelétrica de Santo Antônio, rio abaixo, elevou sua cota acima do que fora aprovado. Com isso, gerou desentendimento com a Energia Sustentável do Brasil, a empresa que constrói Jirau.
O impasse subiu na esfera administrativa e ainda não foi resolvido. Para se proteger do efeito de remanso da água, em consequência do nível mais elevado de Santo Antonio, a ensecadeira de Jirau também foi alterada. Provavelmente isso a está salvando de ser arrastada pelo furioso Madeira.
Se a ensecadeira sucumbir afinal, o prejuízo material (e de cronograma) será significativo. Ainda assim, não significa que a estrutura de concreto passe a sofrer o risco de ruir.
Ao contrário das duas outras grandes hidrelétricas da Amazônia (Tucuruí, em operação, e Belo Monte, em construção), Jirau e Santo Antonio têm barragens baixas. São, como dizem os técnicos, quase a fio d’água. Funcionam com água praticamente corrente, sem formar reservatório. Isso é possível porque elas funcionam com unidades geradoras bulbo.
Elas são muito menores do que as máquinas convencionais, que necessitam de grande volume de água para atingir sua plena capacidade. As turbinas bulbos funcionam na horizontal (e não na vertical, como as outras). Demandam pouca água e uma inclinação de um terço da queda necessária para a ativação das pás das gigantescas turbinas de Tucuruí, por exemplo. Cada uma das 22 que foram instaladas na casa de força da usina do rio Tocantins, no Pará, exige 500 mil litros de água por segundo.
Se as características das duas hidrelétricas do Madeira é positiva por esse ângulo, deixando de inundar áreas maiores da floresta densa que ocupa as margens do rio (e suas populações), por outro lado, as barragens não desempenham a função de regular a vazão, formando reservatórios ou lagos artificiais, como o de Sobradinho (o maior do país, com 4,2 mil quilômetros quadrados) e Tucuruí (3 mil km2). Suas comportas praticamente não retêm água. O que chega à estrutura, passa.
E ao passar com o volume que o Madeira alcançou, sujeita tudo que está pelo caminho aos caprichos do enorme curso d’água. É algo a pensar antes de construir uma hidrelétrica atrás da outra numa região tão colossal e diferente como a Amazônia.
Por Lúcio Flávio
PROJETO “SÓ DEUS SABE” LEVA ROCK ON THE ROAD POR TODAS AS AMÉRICAS

Uma dupla de brasileiros está em viagem pelas Américas a bordo de um triciclo de fabricação artesanal, fabricada especialmente para esta aventura que iniciou o ano passado e passa por Porto Velho (RO) neste sábado, 22 de fevereiro de 2014. A viagem que faz parte do “Projeto Só Deus Sabe”, pretende percorrer 100 mil quilômetros, de Curitiba a Washington, nos Estados Unidos.
Os intrépidos motociclistas atendem pelos apelidos simpáticos de “Cicatriz” e “Tigrão”, nomes de guerra de Vilmar Pereira e Cézar Mariano, de Santa Catarina e Paraná, respectivamente. O nome do projeto, “Só Deus Sabe”, faz jus ao tempo em que pretendem alcançar o objetivo: três anos e meio!
Para custear a aventura, a dupla buscou patrocínios em empresas curitibanas e, por onde passam, pegam seus instrumentos e tocam o melhor do rock’n roll. Foi o que fizeram na tarde deste sábado, no Gregos Original, pub especializado em rock, situado em Porto Velho. Na oportunidade, a dupla divulga e vende CDs da banda Carenagem, cuja renda serve para custear a viagem. A dupla faz parte também do grupo de motociclistas do Paraná, chamada Dragões da Noite, que os acompanham no trajeto brasileiro.
Mais informações sobre o projeto “Só Deus sabe”, clicando AQUI
Fonte: Portal +RO www.maisro.com
Texto e Fotos: Marcelo Gladson
AMIGOS SE DESPEDEM DE THIAGO ITALÍVIO NAS REDES SOCIAIS
Foi encontrado hoje pela manhã, o corpo do jovem Thiago Italivio, 20, que estava desaparecido desde o final da tarde de sábado, 15 de fevereiro. Ele sofreu um acidente quando passeava de jet sky no rio Jamari. Segundo testemunhas, Thiago não usava equipamentos de segurança. Durante exato uma semana, profissionais militares e civis realizaram as buscas, mas encontravam dificuldades devido a forte cheia do rio, que já esta com mais de 15 metros acima de seu curso normal. O corpo foi encontrado boiando as margens do rio em um local chamado Cotovelo, cerca de quatro quilômetros acima do local do acidente. O corpo foi velado na Câmara Municipal de Vereadores de Ariquemes e o sepultamento ocorreu às 18 horas deste sábado mesmo.
Nas redes sociais, amigos e parentes dão adeus ao jovem, que é filho do empresário Rinaldo Jose da Silva, popularmente conhecido como ‘Rinaldo do Posto’ no município de Buritis.
HOMENAGENS
“O tempo sempre é o maior inimigo das coisas , hoje recebendo a triste noticia que o Thiago teria sido encontrado sem vida me arrependo não ter dado apoio suficiente à família em toda está semana. Aquela esperança de 1 % continuava então não me preocupei com tal descuido ; palavras nunca irá substituir um abraço . Peço perdão por não comparecer , devido a distância não dará para chegar à tempo , mais estarei aqui dando apoio , dando força , pois pra isso que serve os primos , pra isso que serve a família. O que nos resta é ajudar os pais e as irmãs do Thiago Italivio a superar está ausência , porque ele agora está nas mãos de Deus e não poderia estar em lugar melhor ! Bom recomeço de vida primo.”, disse Letícia Amanda.
“É, não era essa resposta que queríamos, mas talvez a éresposta de Deus. Sabemos q esta em lugar melhor. Isso talvez possa confortar um pouco os nossos corações que ficou aflito durante todos esses dias de busca! Infelizmente vc se foi, descanse em paz amigo”, disse Jéssica Fernandes.
Deus sabe o que faz. Pode ser que hoje a gente não entenda a vontade de Deus mas uma hora iremos entender. Por que será que Deus só tá levando os bons? Deus já tá escolhendo os dele. Hoje o céu vai tá mas estrelado. Uma nova estrela foi pro céu. O céu vai estar em festa. Que de onde você estiver meu amigo vc esteja confortando o coração dos seus familiares ! Seu sorriso vai ser pra sempre lembrado, Thiago. Pessoas boas nunca serão esquecidas. Agora vc está no melhor lugar que existe, cuidando dos seus familiares e amigos que oraram muito por você! Descanse em paz amigo”, disse Amanda Ribeiro.
Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá, e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrera. Crês tudo isso? João:11,25-26. Creio que vc está vivo para o senhor Jesus cristo, pois apesar de não ter conversado com vc, morávamos na mesma cidade e sempre, tive o prazer de vê-lo e sei que na passagem por aqui era uma pessoa irrepreensível.Vá com Deus”, disse Adelina Padilha.
Fonte: +RO www.maisro.com
COM NÍVEL NO RIO MADEIRA ULTRAPASSANDO OS 18 METROS, GOVERNO PODE DECRETAR A QUALQUER MOMENTO ESTADO DE CALAMIDADE

O rio Madeira atingiu hoje (22) a marca de 18,2 metros e, com o aumento no nível, o governo de Rondônia estuda decretar estado de calamidade, segundo informou o coordenador da Defesa Civil em Porto Velho, coronel Pimentel. De acordo com ele, o número de famílias desabrigadas em Porto Velho pode ultrapassar as duas mil.
Um relatório do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) aponta que quatro rodovias federais no Estado estão com o trânsito prejudicado. A BR-319, que passa por Porto Velho, está alagada e o trânsito liberado apenas em meia pista. Na BR-425, que passa por Guajará-Mirim, também há alagamento.
O DNIT está trabalhando para disponibilizar uma rota alternativa pela BR-421, que corta as cidades Nova Mamoré, Nova Dimensão e União. Na BR-429, na altura do quilômetro 116, entre Alvorada do Oeste e São Miguel do Guaporé, houve rompimento do aterro da cabeceira da Ponte de Madeira sobre o Igarapé Sossego. O tráfego está liberado apenas para veículos leves.
Já na BR-364, que liga Porto Velho ao Acre, entre os quilômetros 800 e 871, ainda há muita água sobre a pista. Equipes do DNIT estudam a instalação de barreiras para conter o avanço da água. Homens da Força Nacional de Segurança também atuam para controlar o fluxo de carros entre os dois Estados.
Na capital acriana, Rio Branco, a situação tende a se estabilizar. O nível do Rio Acre diminuiu e na manhã deste sábado atingiu a marca dos 15 metros.
No Amazonas, equipes do DNIT providenciam um desvio no quilômetro 280, da BR-230, que liga Apuí a Humaitá, por causa do rompimento de um bueiro.
Fonte: Agência Brasil
ROLANDO AGORA A FEIJOADA COM ROCK NO GREGO ORIGINAL, EM PORTO VELHO
A CASA DO POVO VIROU DA MÃE JOANA
Por Geovani Berno (*)

Com todo o respeito que a dona Joana merece, mas a comparação é necessária pelo uso do adágio popular.
Necessário porque sua comunicação a mostra como um espaço democrático, de livre manifestação e onde as pessoas podem, desde que com respeito, circular à vontade nas áreas de uso comum. E até pouco tempo atrás, toda a imprensa era muito bem recebida naquele espaço.
Mas atualmente, pessoas que se diziam democráticas e que achavam um absurdo barrar “amigos e colegas” de imprensa, homens tementes a Deus, que usam crucifixos, abrem a bíblia para ler no horário de expediente para demonstrar sua fé, no momento que assumem cargos públicos mais elevados, esquecem suas origens e do apreço e, principalmente, da gentileza para com os colegas de profissão e de que ESTÁ no poder, e que este é efêmero, assim como todos somos.
Esquecem alguns homens, que somos republicanos e democráticos, graças a Deus. Mas o poder (e Hugo Chaves e Fidel Castro estão aí para nos mostrar) muda as pessoas. Para pior, infelizmente.
Uma pessoa que critica postura de seus colegas, um ente temente a Deus, que louva o exercício profissional e se orgulha de seu trabalho, e que após assumir o poder age de forma escabrosa, impedindo que profissionais cumpram com seu dever de informar, de realizar uma cobertura jornalística, é, no mínimo deplorável e digno de uma Nota de Repúdio do sindicato profissional da categoria, caso tivéssemos um que atuasse em nossa defesa.
O que não se concebe e não dá para entender, é que um profissional desta categoria, se posta como um troglodita defendendo seu assessorado, esquecendo-se que não é esta a função de um profissional da comunicação. Este papel cabe aos seguranças e ao próprio ente. E esquece o colega profissional, de que somos passageiros. Estamos no exercício da função. Até o momento em que o chefe também está. Após sua saída ou sua não eleição/reeleição, perde-se o “poder”, o telefone para de tocar e o ostracismo impera. Mas como diz um outro colega de profissão: “puxa-saco e formiga tem em todo canto”.
Espera-se, e este é o meu desejo, que cargos e funções não sejam colocados acima do companheirismo e do bom conviver. Amanhã você não estará mais no poder, meu caro. E poderá depender de uma indicação ou ser subordinado de quem ofender hoje. Portanto, sejam cordiais e abramos verdadeiramente as portas da Casa do Povo, pois caso contrário, o próprio povo e os colegas jornalistas acharão que continua a casa da mãe Joana. Novamente, desculpe dona Joana.
(*) Geovani Berno – é jornalista
















