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quarta-feira, maio 13, 2026
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Falas de Henrique Meirelles não ajudam o Brasil a sair da crise e retomar crescimento com justiça social

Por Roberto Kuppê (*)

Era tudo o que os golpistas de plantão queriam. A fala do ex-ministro da Economia Henrique Meirelles, de que o governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem quase duas vezes mais chances de ser semelhante ao da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) do que ao primeiro mandato do próprio Lula, caiu como uma bomba. O que era apenas um comentário em um evento fechado do BTG Pontual, ganhou repercussões estratosféricas e já soa como golpe anunciado. Lembrando que Meirelles é do grupo de Michel Temer (MDB).

As falas de Lula no CCBB, QG da Transição, deram combustível para os comentários negativos de Meirelles, concomitantemente à reação do mercado, que tomaram conta dos noticiários no dia de ontem e deve continuar repercutindo neste final de semana.

O que Lula disse ontem, 10, no CCBB, foi apenas a repetição do que disse durante a campanha, que ia rever o teto de gastos, que não governaria para o mercado e que seu objetivo, seu foco, era e é a redução das desigualdades e o combate à pobreza agravada nos últimos dois anos pela pandemia. O mercado reagiu mal ao discurso, caindo a bolsa e subindo o dólar. Lula chorou, mas o “mercado” não tem sentimentos e o futuro presidente terá que balancear e calibrar nos discursos daqui pra frente.

“Estamos atravessando um tempo no qual falar em dar comida às pessoas assusta o mercado. Esse é o nível da selvageria dos especuladores”, comentou Gilberto Paulino, um eleitor de Lula, nas redes sociais.

Pode ser uma captura de tela do Twitter de uma ou mais pessoas e texto que diz "CORONEL SIQUEIRA @direitasiqueira GALERA MAIS POBRE, VOCÊS SE INCOMODAM EM PASSAR FOME MAIS UNS ANOS??? É QUE o MERCADO TÁ NERVOSO, NÃO DÁ PRA CONTRARIAR... n"

É disso que estamos tratando nesse artigo meio fatalístico. Lula tem como missão de vida tirar a maioria dos brasileiros da extrema pobreza e, ao mesmo tempo, desenvolver o país, gerando emprego renda. Lula terá apenas quatro anos para recolocar o País nos trilhos porque ele não será candidato à reeleição.

 

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "FOLHA DE S.PAULO o que a folha pensa [..] Desta vez, Lula terá dificuldades consideravelmente maiores se quiser, mais uma vez, equilibrar-se entre gregos e troianos. As contas do Tesouro Nacional encontram-se encontram- depauperadas, governo depende do mercado credor até para pagamentos cotidianos. Não está no horizonte o cenário global favorável de duas décadas atrás."O que pensa a Folha?

Editorial de ontem da Folha de S. Paulo: “Economistas de correntes diversas de pensamento foram chamados para a equipe de transição de governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que decerto não ajuda a reduzir a incerteza em torno da agenda a ser adotada a partir de 2023. O grupo terá Persio Arida, um dos formuladores do Plano Real e alinhado a teses liberais; André Lara Resende, também da equipe do Real, mas nos últimos anos defensor de ideias controversas na área monetária; Nelson Barbosa, ministro durante o estatismo de Dilma Rousseff (PT); e Guilherme Mello, da Unicamp, atuante à esquerda. É evidente que os currículos resumidos em poucas palavras deixam de fora nuances ou até eventuais pontos de concordância entre os quatro. Parece evidente, entretanto, que as escolhas pretenderam acenar tanto à militância partidária quanto à vasta parcela da opinião pública que teme a repetição de erros graves do passado. Ao longo de oito anos no Palácio do Planalto, Lula nunca deixou de contemplar, em graus que variavam conforme a ocasião, as correntes liberal e estatista —para fazer uma divisão simplificadora. A primeira teve maior protagonismo em seu primeiro mandato, quando foram respeitadas metas fiscais e de inflação, aprovou-se uma reforma previdenciária e, não menos importante, o caríssimo programa Fome Zero da campanha deu lugar ao focalizado e bem-sucedido Bolsa Família. Desta vez, Lula terá dificuldades consideravelmente maiores se quiser, mais uma vez, equilibrar-se entre gregos e troianos. As contas do Tesouro Nacional encontram-se depauperadas, e o governo depende do mercado credor até para pagamentos cotidianos. Não está no horizonte o cenário global favorável de duas décadas atrás. Mesmo admitindo-se uma elevação inevitável de despesas permanentes a partir de 2023, há que indicar logo quem dará as cartas na economia e o que será feito das contas públicas. Não haverá como contentar Arida, Lara Resende, Barbosa e Mello ao mesmo tempo”.

Lula disse ao mercado que fique tranquilo após um dia de queda da bolsa e subida do dólar. Lula está com uma equipe econômica de primeira, embora heterogênea nos pensamentos. Lula só quer o melhor para o País.

Com a pressa do “mercado” em saber quem será o ministro da Fazenda (Economia), é possível que esse nome seja antecipado, para antes da viagem de Lula ao Egito, para a COP27.

Ah, a inflação está de volta após três meses de deflação forçada devido às eleições.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

 

 

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