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sexta-feira, novembro 6, 2026
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MAIS HUMANIZADO: ABRIGADOS DO PARQUE DOS TANQUES TÊM TRÊS REFEIÇÕES DIÁRIAS

8-almoço-370x246Onze e meia da manhã, hora do almoço no abrigo do Parque dos Tanques, na Avenida Lauro Sodré os moradores deixam seus alojamentos para a hora do almoço. No cardápio do dia feijão, arroz, macarrão, frango, farofa e salada. A comida é à vontade, mas não pode haver desperdício.

Até alguns dias atrás as refeições eram servidas em quentinhas. A mudança para o prato feito servido na hora agradou mais aos beneficiários, que desde então podem medir a quantidade de alimento a ser servido. O transporte é feito em grandes panelas, trazidas pelo caminhão do fornecedor, servidores e voluntários se encarregam da distribuição.

Aguardando a diminuição da fila, Cleonice Alves, de 47 anos, moradora da Linha 19, no Assentamento Joana d’Arc, instalada no local há 24 dias, diz que não tem o que reclamar da alimentação, que é servida três vezes ao dia. “Só perde a comida quem não chega na hora”, acentua. Para ela o problema maior no local é o calor nas barracas, mas ainda assim é possível suportar, desde que seja por poucos dias. A agricultora diz que não tem notícias de casa e que quando deixou o imóvel, o mesmo não fora tomado pelas águas mas estava isolado. “Tenho muita vontade de voltar para casa, mas nem sei se vou realizar este sonho”. A subsistência da família vinha da plantação de macaxeira. “Eu e meu marido queremos muito ir embora e continuar a nossa vida lá no assentamento, por melhor que sejam as coisas por aqui, sabemos que aqui não é o nosso lugar”, sintetiza.8 – refeições

8-leonilda-correia-370x555Davi Luiz é um bebê de 30 dias. Nasceu quando a família estava abrigada na Escola São Pedro. Há uns quinze dias todos foram transferidos para o Parque dos Tanques. Nos braços da avó paterna, Leonilda Corrêa, de 43 anos, ele foi examinado pela técnica de enfermagem Celi Gadelha, que constatou a ocorrência de candidíase oral, o popular sapinho que aparece na boca de recém nascidos. Leonilda é manicura, praticamente perdeu a casa no bairro da Balsa, mas diz que tem esperança de reconstruí-la, mesmo que de forma parcial. “Ainda não consegui autorização para ir até lá, mas acho que é só uma questão de tempo”, diz resignada com a situação. A família é grande, são seis filhos, noras e os netos. No Parque dos Tanques ela divide a barraca com outros cinco membros da família, foi designada pela coordenação como a responsável e com isso nem pode sair muito do local para fazer unhas. “Mesmo assim, sempre que algum cliente me liga, dou um jeito de ir fazer suas unhas, porque é daí que tiro o sustento da família”.

Leonilda é uma das que constata que a alimentação servida no Parque dos Tanques melhorou, “mas falta uma merenda para as crianças à tarde, antes do jantar”, lamenta. Mas diz que está consciente da necessidade de voltar para casa. “Temos sido assistidos, mas voltar pra casa será muito melhor”.

8-manoel-fernandesOutro que mora no Joana d’Arc é Manoel Fernandes e a esposa Ledir, recolhidos na casa provisória eles faziam a refeição do almoço e enquanto isso contou que a propriedade não foi invadida pelas águas, mas há algum tempo já estava muito encharcada, a plantação de banana e de mandioca estava comprometida e para evitar perdas maiores foi convencido pela Defesa Civil que precisava deixar o local. “Estamos aqui desde o dia sete de abril e aguardamos ansiosamente as surpresas que o futuro nos reserva”.

 

TENENTE CORONEL DA PM GANHA CONCURSO BOAS IDEIAS (ATUALIZADA)

9-primeiro-lugar-370x246O tenente da Polícia Militar de Rondônia, Willian Lima Barbosa (5º BPM), recebeu das mãos do govenador Confúcio Moura um cheque no valor de 10 mil reais. Ele ficou com a 1ª colocação  do Prêmio Boas Ideias, lançado em 26 de novembro de 2013, com o objetivo de estimular e premiar a participação dos servidores com ideias que possam ser transformadas em ações e políticas de governo a bem da população.

 

A cerimônia de premiação ocorreu no Palácio Rio Madeira, na manhã desta quarta-feira, 30, com a presença de servidores de diversas repartições públicas e dos secretários estaduais George Braga (Planejamento) e José Carlos Reis (Segurança).

 

confOutros três candidatos foram premiados: o segundo colocado recebeu 6 mil reais; o terceiro, R$ 4 mil e, finalmente, o 4º, recebeu a menção honrosa, com direito a passagens para Fortaleza. A premiação foi oferecida pela Caixa Econômica Feral e pela Budny tratores, as quais o governador fez questão de agradecer, ao fazer uso da tribuna. “Quero agradecer aos patrocinadores, sem os quais este evento não teria acontecido”, disse Confúcio.

 

O tenente Barbosa, apresentou a ideia: “Sistema Integrado de Coleta e Análise de Informações Criminais”.  A proposta é de estimular a ampla participação dos cidadãos na prevenção e elucidação de crimes, por meio de um sistema informatizado que estabeleça um canal de comunicação entre os órgãos da Segurança Pública e a comunidade. Segundo o autor, “O sistema irá atender aos princípios norteados pela administração pública, dentre os quais o de tornar transparente os seus atos”, descreve.

 

9 - professora segundo lugarAlém de Barbosa, outros três vencedores apresentaram os seguintes temas: Cacoal contra a Dengue, que ficou com a segunda colocação e foi inscrito pela professora Viviane Briekowiec, que leciona na escola Cora Coralina, em Cacoal. O trabalho visa a realização de uma campanha de conscientização e o combate à Dengue a partir do controle biológico do mosquito sem o uso de agrotóxicos. Viviane recebeu  6 mil reais das mãos do governador Confúcio Moura.9 - terceiro lugar

 

O defensor público José Alberto Oliveira de Paula Machado levou pra casa a quantia de 4 mil reais ao apresentar a ideia: “Defensoria Pública Móvel: seus direitos perto de você”. A ideia do defensor é de que o governo possa realizar atendimento em bairros carentes por considerar que é exatamente este o público-alvo da Defensoria, que é o que menos tem informações sobre o trabalho da instituição que presta serviços jurídicos, oferecidos pelo Estado a quem não pode contratar um advogado.

 

9 - participanteO funcionário do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Tiago José Freitas Batista apresentou como ideia: Sistema Rondoniense de Leilão de Veículos Automotores, para facilitar o acesso aos lotes dos leilões por meio eletrônico. Dessa forma, relata Tiago, “os postos do Detran em todas as cidades podem expor o sistema e viabilizar para o acesso público”.

 

Antes do início da cerimônia, o governador se reuniu com os 10 finalistas,  conversou com cada um deles para obter maior conhecimento e obteve mais informações sobre a ideia de cada um. Os candidatos responderam aos questionamentos explicando as respectivas propostas. Confúcio ficou satisfeito com as respostas e disse que todas as ideias são passíveis de ser executadas. “Agora é transformar estas sugestões em projetos, para depois colocar em prática. De nada adianta boas ideias se não vamos realizar”, enfatizou o governador.

 

 

 

VERGONHA: GRUPO QUE ACOMPANHAVA VOTAÇÃO NA CÂMARA É FLAGRADO RECEBENDO DINHEIRO

Grupo que acompanhava a votação de projeto, com manifestações efusivas de apoio aos deputados, é flagrado pelo Correio recebendo notas de R$ 20 e de R$ 50 minutos após a aprovação do texto que altera a lei dos caminhoneiros

vergoNa noite da última terça-feira, às 22h, logo após o fim da sessão que aprovou mudanças na chamada lei dos caminhoneiros, um grupo de 30 pessoas foi flagrado pelo Correio recebendo dinheiro nos corredores do 10° andar do Anexo IV da Câmara dos Deputados. Minutos antes, parte daqueles mesmos personagens ocupou as galerias da Casa para aplaudir cada um dos parlamentares que apoiou o texto sobre a ampliação da jornada de trabalho para os motoristas. A cena do pagamento foi documentada em vídeos e fotos pela equipe do jornal, que acabou hostilizada por servidores com crachás da Câmara, responsáveis pela distribuição de notas de R$ 50 e de R$ 20 para a claque.

O repasse do dinheiro começou na chapelaria do Congresso, de onde o grupo se dirigiu ao gabinete do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), de número 920, no 9º andar do Anexo IV da Câmara. Marquezelli presidiu a comissão especial que analisou o projeto na Casa. Ele também foi o escolhido para fazer a defesa da proposta antes da votação no plenário, momento em que foi bastante aplaudido pela claque, conforme registro em vídeo disponível no portal da Câmara. Várias das pessoas vistas na galeria da Casa chegaram a entrar no gabinete de Marquezelli, que estava aberto.

No escritório do petebista, o grupo foi orientado por funcionários a subir para o 10° andar. Lá, foram recebidos por pessoas com crachás da Câmara. Uma fila acabou formada em frente aos funcionários, que dispunham de uma lista de nomes, calculadora e um pequeno bolo de dinheiro em notas de R$ 50 e de R$ 20. Não foi possível determinar o montante recebido por cada um nem a origem dos recursos.

http://www.youtube.com/watch?v=kMlbfGHPdHo

Após ser interrompida pela filmagem, a distribuição continuou no estacionamento em frente ao Anexo IV. Um dos integrantes da claque chegou a ameaçar a reportagem. “Quer perder seu celular?”, perguntou o homem, em meio a uma série de palavrões.

Correio Braziliense

PAIS DE ALUNOS QUE NÃO FREQUENTARAM AULAS DURANTE CHEIA NÃO DEIXARÃO DE RECEBER BOLSA FAMÍLIA

dilmaaasssO Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) esclarece que, em situações de emergência ou calamidade pública, como as enchentes que atingem o estado de Rondônia, os beneficiários do Bolsa Família não têm o benefício suspenso ou bloqueado por falta de cumprimento da frequência escolar. As condicionalidades de educação do programa exigem frequência mínima de 85% para crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos e de 75% para estudantes entre 16 e 17 anos.

Leia também: Pagamento do Bolsa Família será antecipado em quatro municípios de Rondônia

“As famílias podem ficar tranquilas, pois nessas situações de calamidade pública não há suspensão ou bloqueio do Bolsa Família. O governo federal e os gestores responsáveis pelo programa nos municípios têm mecanismos para registrar o motivo pelo qual o aluno não está indo à escola”, explica Marcos Maia, coordenador-geral de Acompanhamento das Condicionalidades do MDS.

De acordo com ele, o Ministério da Educação (MEC), por meio do Sistema Presença, registra as informações repassadas pelas secretarias de educação sobre as causas da ausência do aluno em sala de aula. Maia explica que, ao acessar a área reservada ao Acompanhamento da Frequência Escolar dos alunos do Bolsa Família, os gestores podem registrar os motivos que impedem o comparecimento do aluno à escola. “Ao fazerem isso, o MEC e o MDS têm acesso a essa informação”, tranquiliza.

Em casos de enchentes, por exemplo, há três situações que justificam a ausência escolar. “O aluno não vai à escola ou porque não consegue se dirigir até lá, ou porque as escolas suspenderam as aulas para servir de abrigos às vítimas, ou ainda porque a própria escola foi inundada”, detalha Marcos Maia.

“Nessas situações, ocorre muita boataria, o que acaba aumentando o sofrimento e o desespero das vítimas, que ficam inseguras, com medo de perder o Bolsa Família”, pondera o coordenador, ao enfatizar que a falta de cumprimento das condicionalidades, nesses casos, ocorre por “motivo de força maior” e não compromete o recebimento do benefício pelas famílias. “Como atribuir falta ao aluno que não foi à escola porque não há aula ou porque não conseguiu se deslocar até lá?”.

Essa mesma lógica é aplicada com relação às condicionalidades de saúde – acompanhamento do calendário vacinal, do crescimento e desenvolvimento das crianças menores de sete anos e das gestantes e nutrizes. Os prazos para atualização cadastral nas localidades em situação de emergência ou calamidade pública também são ajustados à realidade dos municípios atingidos, sem prejuízo para os beneficiários do Bolsa Família.

Poder Judiciário de Rondônia terá expediente normal nesta sexta-feira (02)

O Poder Judiciário de Rondônia funcionará normalmente nesta sexta-feira, 2 de maio de 2014, após o feriado nacional alusivo ao dia do trabalhador (01/05). O expediente tanto na capital quanto nas demais comarcas será das 7 às 13 e das 16 às 18 horas. No início deste ano, o presidente o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, desembargador Rowilson Teixeira, publicou no Diário da Justiça n. 009/2014, a relação de feriados e pontos facultativos.

 

CIA DE TEATRO BALANGAN DE SÃO PAULO SE APRESENTA EM RONDÔNIA

 

Foto 5_Recusa_Cia Teatro Balagan_Créditos Ale CatanEm comemoração aos 15 anos de sua existência, a Companhia de Teatro Balangan que já está em circulação na região Norte desde o último dia 18, apresenta em Rondônia nesse final de semana o premiado espetáculo “Recusa”. A apresentação no estado, através do projeto Teatro em Cartaz do Sesc, acontece em Ji-Paraná nos dias 01 e 02 de maio, às 20 horas no Teatro Dominguinhos. As apresentações em Porto Velho serão nos dias 03 e 04 de maio, também às 20 horas, no Teatro 1 do Sesc Esplanada.

 

Recusa foi criado a partir de uma notícia veiculada no jornal Folha de São Paulo, em 16 de setembro de 2008, sobre o aparecimento de dois sobreviventes índios Piripkura, etnia considerada extinta há mais de 20 anos, que viviam nômades, perambulando por fazendas madeireiras no noroeste do Mato Grosso, próximo ao município de Ji-Paraná em Rondônia e que se recusavam a estabelecer qualquer contato com os brancos. Os dois teriam sido encontrados por causa de suas gargalhadas que ressoavam na floresta, resultantes de histórias que contavam um para o outro enquanto comiam a caça recém abatida.

 

A dramaturgia escrita por Luis Alberto de Abreu é narrado, cantado, por dois olhares e seus múltiplos: dois índios Piripkura; dois heróis ameríndios, Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou, por uma cantora que se perde na mata, por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang, e outros tantos.

 

O espetáculo contemplado com o prêmio Funarte Myriam Muniz 2013 também já recebeu vários outros prêmios, a exemplo do prêmio Shell de Teatro 2012, com melhor direção e melhor cenário, prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte 2012, com melhor ator, prêmio FITA – Festa Internacional de Teatro de Angra 2013, com melhor cenário, entre outros.

 

Além do espetáculo, a companhia promove a atividade formativa “Diário de Campo de Recusa”, onde integrantes da equipe apresentam elementos da pesquisa e criação, como textos de referência, imagens fotográficas e videográficas da pesquisa de campo realizada em Rondônia.

 

Recusa tem a duração de 90 minutos. A entrada é gratuita e a classificação é 12 anos.

 

Serviço:

 

JI-PARANÁ (RO)

Espetáculo RECUSA: 01 e 02 de maio às 20h

Diário de Campo de Recusa: 02 de maio das 10h30s às 12h

Local da apresentação e da atividade formativa: TEATRO DOMINGUINHOS

Endereço: Av. Marechal Rondon, Nº 295, Centro

Telefone: (69)3422-8848

Entrada FRANCA

 

PORTO VELHO (RO)

Espetáculo RECUSA: 03 e 04 de maio às 20h

Diário de Campo de Recusa: 04 de maio das 10h30 às 12h

Local da apresentação e da atividade formativa: SESC Esplanada

Endereço: Av. Presidente Dutra, Nº4175, Bairro Olaria

Telefone: (69)3229-6006/ Ramal: 238 ou 239

Entrada FRANCA

 

BLOG DO CHA: EVO QUER US$ 5 BILHÕES DAS USINAS PELAS ENCHENTES NA BOLÍVIA

BOL1Talvez seja esta a razão pela qual o Itamarati não tenha até hoje indicado um nome para ocupar o cargo de embaixador brasileiro em La Paz depois do episódio da fuga espetacular do senador Roger Pinto Molina. Isso explica também o coice desferido por Dilma Rousseff na canela do prefeito Mauro Nazif durante a visita presidencial a Porto Velho, ocasião em que o prefeito cometeu a imprudência de cobrar dela alguma atitude em relação às usinas. Quem estava por perto disse que a resposta veio de bate-pronto: “O senhor é boliviano? Os bolivianos é que têm essa mania de achacar o governo brasileiro”.

De qualquer forma, ainda que não haja confirmação da notícia, o certo é que ela é absolutamente verossímil. Evo Morales trabalha com o relatório verdadeiro do estudo de impacto ambiental do projeto, aquele que foi posteriormente substituído por determinação do Planalto. O estudo real aponta para enchentes sistemáticas em Rondônia e em grandes áreas da Bolívia. Especialistas no assunto já alertavam para a realidade que as enchentes do Madeira vieram comprovar.

Pior: a considerar seu raciocínio, as enchentes serão incorporadas ao cenário rondoniense nos próximos anos, a menos que a elas sobrevenha uma seca igualmente violenta. Os cientistas acreditam que isso não verá acontecer. Um deles explicou dia desses que há, nas nuvens que cobrem a Amazônia água equivalente a um rio Amazonas. Da mesma forma foi explicada a influência das barragens: o declive dos Andes até à barragem de Santo Antônio chega a quatro mil metros. Daqui até o rio Amazonas ele praticamente não existe.

A força da correnteza seria decorrente da velocidade com que as águas chegavam a Santo Antônio, praticamente empurrando o Madeira em direção ao Amazonas. Isso agora não é mais possível, graças às barragens. Mesmo que tenha procedência o argumento de que a mesma água que chega na barragem é a que sai, a velocidade não é mais a mesma. Por isso é que acontece o fenômeno dos remansos, que acabam inundando uma área muito maior.

O certo é que Evo Morales tem poder de pressão bastante forte para convencer o governo brasileiro a assumir a dívida de U$ 5 bilhões a título de indenização. Claro que depois das eleições, pois que interessa a ele a permanência de um governo de orientação “bolivariana” – seja lá que significado tenha isso.  Ele não irá ameaçar o Brasil com uma inundação de cocaína porque isso a Bolívia já fez. Mas pode ameaçar com o corte no fornecimento de gás. De qualquer forma, absolutamente ninguém duvida de que ele vá receber.

BLOG DO CHA

GOVERNO RECEBE PLANO DE RECONSTRUÇÃO PÓS-ENCHENTE

2-plano-reconstrução-370x246Em reunião na manhã desta terça-feira (29), no Palácio Presidente Vargas, em Porto Velho, os representantes dos Sistemas Fecomércio, Fiero e Banco da Amazônia (Basa) apresentaram ao governador Confúcio Moura e ao secretário de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog), George Braga, o programa de reconstrução do Estado após a maior cheia dos rios Madeira, Mamoré, Guaporé, Machado e outros. O plano foi definido nessa segunda-feira por 62 instituições representantes de classes empresariais, bancos, governo estadual e prefeituras, sob a coordenação da Federação do Comércio do Estado de Rondônia (Fecomércio).

Para que o plano seja colocado em prática, de imediato, o governo estadual irá definir, nos dias 8 e 9 de maio, alguns pontos para consenso das informações, como valor real dos prejuízos e extensão da Estrada Parque, com vistas a receber reforço orçamentário da União. Para isso, é necessário ainda que o governo Federal reconheça o estado de calamidade decretado pelo governo de Rondônia por meio do Decreto 18.749, publicado no Diário Oficial do último dia 3.

2-reconstrução-370x246Conforme o superintendente da Fecomércio, Rúbens Nascimento, no programa, que mostra os principais impactos, principalmente no setor produtivo, são apontadas possíveis soluções a longo, médio e curtos prazos, começando pela remoção das famílias das áreas atingidas, construções de encostas na margem direita do rio Madeira, ponte sobre o rio Abunã e hidrovia Guaporé-Mamoré, além de repensar o traçado das BRs-364 e 425; e consolidar a Rodovia 420 ou 080 (se vier do Mato Grosso passando por Machadinho), conhecida como Estrada Parque. Ele ainda informou que para melhor aproveitamento dos projetos de ciência e tecnologia a Fecomércio está criando um Conselho Superior para tratar dessas áreas.

Alem dos impactos sociais, com as famílias sendo retiradas de suas casas, surgimento de doenças, entre outros, em decorrência da cheia, pelos cálculos da Fecomércio, a paralisação do comércio gerou prejuízos estimados em R$ 4 bilhões.

Ainda na reunião com o governador, o superintendente do Basa, Edmar de Souza Bernardino, disse que o banco, por ser de fomento, quer ser solidário, mas depende da aprovação da linha de crédito emergencial, que será destinada a todos os atingidos, de forma direta ou indiretamente. Ele orientou que o acesso ao financiamento exigirá apresentação de certidão negativa.

DEPOIS DE 99% PRONTA, PONTE SOBRE RIO MADEIRA DEVERÁ TER ESTUDOS DE IMPACTO DE VIZINHANÇA

ponte-madeiraO Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia obteve uma sentença condenatória favorável emitida pela Justiça Federal que obriga o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) e o Consórcio M. Martins – responsável pela obra – a elaborar estudos e relatório de impacto de vizinhança e de trafegabilidade em relação às áreas afetadas direta e indiretamente pela construção da ponte sobre o Rio Madeira.

A sentença condenatória confirmou uma decisão liminar obtida anteriormente. Pela sentença, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também está obrigado a não emitir a licença de operação até a conclusão do relatório de impacto de vizinhança e a adoção das medidas para minimizar ou compensar os danos.

A sentença atende ao pedido do MPF e do MP Estadual em ação civil pública. A Justiça Federal fixou multa processual de cinco mil reais, além de multa diária de dois mil reais, para cada instituição que descumprir a sentença condenatória.

Estudos incompletos

A ação do Ministério Público originou-se de investigação que apontou irregularidades no licenciamento da construção, como deficiências nos estudos e no relatório de impacto ambiental e a ausência de relatório de impacto de vizinhança.

Os estudos e o relatório de impacto ambiental são exigidos quando a obra ou atividade pode causar degradação ao meio ambiente. Já os estudos e o relatório de impacto da vizinhança e trafegabilidade servem para avaliar o impacto que a obra ou atividade pode causar na qualidade de vida da população residente nas áreas e nas proximidades. Embora existam semelhanças entre os dois estudos, ambos são instrumentos que avaliam questões distintas.

No estudo de impacto da vizinhança, serão apresentados pontos como o adensamento da população, equipamentos urbanos e comunitários, uso e ocupação do solo, valorização imobiliária, geração de tráfego, entre outros.

O Ibama aprovou os estudos de impacto ambiental, sem que houvesse a exigência dos estudos de vizinhança e trafegabilidade. Apesar das irregularidades, as atividades das obras seguiram seu curso com a expedição de licenças e autorizações expedidas pelo Ibama e pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), que na época era responsável por emitir as licenças.

CARTA DO MADEIRA: ATINGIDOS PELAS BARRAGENS DAS USINAS DENUNCIAM VIOLAÇÕES E REINVIDICAM DIREITOS

MAB

Somos mais de 600 trabalhadores rurais e urbanos, ribeirinhos, agricultores, pescadores, extrativistas, funcionários públicos, comerciantes, representantes e lideranças de comunidades do Alto ao Baixo Madeira como São Carlos do Jamari, Brasileira, Agrovila Nova Aliança, Cujubim, Cujubinzinho, Igarapé do Tucunaré (Floresta Nacional do Jacundá), Ilha do Monte Belo, Itacoã, Reserva Extrativista Lago do Cuniã, Curicacas, Pombal, Bom Será, Pau d’Arco, Nazaré, Jaci Paraná, Linha do IBAMA (Santa Inês), loteamento do Trilho, Parque dos Buritis, Reassentamento Morrinhos, Reassentamento Santa Rita, Abunã e Projeto de Assentamento Joana D’Arc, bairros da cidade Porto Velho e da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e nos reunimos na Assembleia Popular dos Atingidos pelas barragens e enchentes no rio Madeira: por terra, casa e trabalho, organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)  no dia 17 de abril de 2014, em Porto Velho, no Mercado Cultural, de frente ao Palácio do Governo do Estado de Rondônia.

Queremos apresentar a todos os acúmulos deste encontro de avaliação, organização e planejamento das pautas e lutas dos atingidos, que se levantam contra as recentes violações de direitos humanos a partir da cheia histórica do rio Madeira, mas também durante todo o violento processo de implementação dos projetos de Aproveitamentos Hidroelétricos de Santo Antônio e Jirau. Temos propostas e queremos ter participação no projeto de reconstrução de nossas vidas, que os responsáveis pelos empreendimentos devem garantir.

Responsabilizamos as empresas acionistas dos consórcios Energia Sustentável do Brasil, responsável pela Usina de Jirau (GDF SUEZ-Tractebel com 40%, Mitsui com 20% e o grupo Eletrobrás com 40%, via Eletrosul e Chesf, cada uma com 20%), e Santo Antônio Energia, responsável pela Usina de Santo Antônio (Furnas com 39%, Odebrecht com 18,6%, Andrade Gutierrez com 12,4%, Cemig com 10%; e Caixa FIP Amazônia Energia com 20%) e o Estado brasileiro. Ao trazerem os empreendimentos para Rondônia, o Estado e as empresas assumiram os compromissos de alavancar o desenvolvimento local e regional, geração de emprego e renda, remanejamento das famílias atingidas em condições iguais ou melhores às que viviam antes, energia barata e de qualidade para todos e até mesmo que a hidrelétrica a fio d’água não formaria um “lago” com o reservatório.

Com a cheia, são mais de 5.000 famílias atingidas, mais de 100 mil pessoas sem acesso a água potável, 12 bairros de Porto Velho e mais de 50 comunidades ao longo do rio Madeira, incluindo os municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim. Estas famílias atingidas estão sofrendo com a perda de suas terras, moradias, produção, utensílios de trabalho, equipamentos e demais pertences. A maior parte das famílias se deslocou para casas de amigos e parentes, e mesmo aqueles que foram para abrigos foram assistidos principalmente com a solidariedade da população, do que pelos governos. Estes atingidos têm passado dificuldades em serem reconhecidos como público afetado e de receberem a devida assistência como alimentação, água potável, saúde e educação, transporte e local adequado de habitação.

As cheias trazem muitos estragos e também retomam das águas barrentas do Madeira uma série de alertas, de denúncias e lutas reprimidas, questões sobre a hidrossedimentologia do rio, sobre a ictiofauna, sobre os modos de vida dos povos indígenas e tradicionais, sobre a necessidade de realizar estudos sérios sobre as consequências geradas por grandes empreendimentos, sobre as sistemáticas e planejadas perversidades das empresas que violam os direitos humanos dos atingidos.

Os reservatórios das hidrelétricas foram subdimensionados, assim como suas curvas de remanso, as barragens estão acumulando grande quantidade de sedimentos, o que leva as águas a alagarem uma área maior. Além disso, houve super acumulação de água para o aumento da taxa de lucro das empresas, colocando de forma consentida a sociedade em risco e desrespeitando as normas de operação. As usinas vêm faturando alto com a energia gerada, somente o banco BTG Pactual, em janeiro e fevereiro de 2014, teve um lucro de R$ 350 milhões, devido à especulação da energia produzida em Santo Antônio, que vem sendo vendida por R$ 822,00/1.000 kWh, dez vezes mais alto do que os preços definidos no leilão. Essa conta será transferida para o povo brasileiro com futuros aumentos nas tarifas de luz.

As hidrelétricas potencializaram os efeitos da cheia, somando aos inúmeros problemas que vinham sendo causados, como:

Violação do direito à informação e à participação;
Violação do direito à liberdade de reunião, associação e expressão;
Violação do direito ao trabalho e a um padrão digno de vida;
Violação do direito à moradia adequada;
Violação do direito à educação;
Violação do direito a um ambiente saudável e à saúde;
Violação do direito à plena reparação das perdas;
Violação do direito à justa negociação, tratamento isonômico, conforme critérios transparentes e coletivamente acordados;
Violação do direito de ir e vir;
Violação do direito às práticas e aos modos de vida tradicionais, assim como ao acesso e preservação de bens materiais e imateriais;
Violação do direito dos povos indígenas, quilombolas e tradicionais;
Violação do direito de grupos vulneráveis à proteção especial;
Violação do direito à reparação por perdas passadas;
Violação do direito de proteção à família e aos laços de solidariedade social ou comunitária;
Super exploração do trabalho dos operários nas obras, desrespeito à legislação trabalhista;
Não cumprimento das condicionantes estabelecidas no licenciamento ambiental;
Subdimensionamento da migração provocada pelos empreendimentos gerando inchaço populacional, agravando o acesso a educação, saúde, saneamento, moradia, incrementando os níveis de violência, transito e inflação dos preços de alimentos e imóveis.
Modificação do sistema de cheias e vazantes do rio, prejudicando a agricultura na várzea;
Elevação do lençol freático, contaminando fontes de água para consumo.
Encharcamento de solos, tornando áreas inagricultáveis, prejudicando os camponeses;
Supressão de territórios e recursos naturais, desestruturando atividades pesqueiras e agroextrativistas;
Reassentamentos precários, sem garantia de direitos básicos ou recomposição da capacidade de trabalho e geração de renda;
Estudos de Impacto Ambiental insuficientes e incorretos, que não apontaram quem seriam os atingidos.
Desbarrancamentos na margem do rio em diferentes pontos, atingindo a moradia de muitas famílias.
Proliferação de mosquitos vetores de doenças.

As Usinas de Santo Antônio e Jirau alcançaram os investimentos de 16 bilhões e 17,3 bilhões. A maior parte do recurso injetado é oriunda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao invés de trazerem benefícios, tornaram muito piores as condições de vida das populações locais, chegando a muitas situações de gravíssima vulnerabilidade.

Apesar do financiamento público, dos maus tratos aos operários, do desrespeito aos povos atingidos e ao meio ambiente a energia gerada como mercadoria segue sendo utilizada segundo a lógica instalada no setor elétrico desde o regime militar. A usina Jirau, por exemplo, já tem 73% da geração de eletricidade contratada por meio de contratos de 30 anos com distribuidoras de energia e o restante com os acionistas existentes. A GDF Suez é dona de 60% da energia ainda não comercializada de Jirau no mercado livre. A energia de Santo Antônio e Jirau fazem parte de um projeto que não atende a interesses populares. Tratam-se de obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) que fazem parte do projeto IIRSA (Iniciativa de Integração Regional Sul Americana) do Banco Mundial (BM) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), plano voltado para a acumulação de lucro de grandes empresas transnacionais.

Apoiamos a liminar da Justiça Federal que determina a pedido dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, das Defensorias Estadual e da União e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que sejam reelaborados os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto no Meio Ambiente (RIMA) de Santo Antônio e Jirau, e que os peritos sejam indicados pelo Ministério Público, e não pelos próprios empreendedores. No entanto, reivindicamos que as comunidades atingidas à jusante do barramento de Santo Antônio, excluídas no deferimento, também sejam reconhecidas como atingidas, obrigando os consórcios de Jirau e Santo Antônio garantirem toda a assistência necessária às famílias destas localidades.

Que o desdobramento da Ação Civil Pública impetrada contra Santo Antônio, Jirau e IBAMA no Madeira repercuta em outros projetos nos rios Xingu, Tapajós, Teles Pires, Machado e Amazônia afora. Pois antes de qualquer cheia atípica já havia o deslocamento compulsório de famílias camponesas para áreas improdutivas, retirando-lhes as condições de reprodução material e simbólica, a dissolução da fonte de sustento dos pescadores, casas desmoronando junto ao barranco do rio, entre outros casos negados, que não podem se repetir.

Não nos enganamos. Em Rondônia, após mais de 30 anos ainda seguem mais de mil famílias sem terra atingidas pela usina hidrelétrica de Samuel, no rio Jamari. Muitas famílias permanecem sem energia elétrica ou energia de qualidade nestas regiões. Reunidos com estes companheiros de Triunfo, Candeias, e Itapuã do Oeste, memória viva da dívida social de Samuel, afirmamos com firmeza que só a luta faz valer nossos direitos.

Pautas emergenciais:

Repudiamos o plano do chamado “Abrigo Único”, proposta impositiva e desumana de alojamento das famílias desabrigadas em barracas de lona insalubres, sob condições de altas temperaturas e reduzida ventilação, entre outros problemas já apontados pelo MAB, CREA, Defensoria Pública do Estado, OAB e Ministério Público Federal.

Exigimos que as famílias alojadas em casas de parentes e demais abrigos emergenciais na cidade e nos distritos (escolas, igrejas, nas terras altas remanescentes no Alto e Baixo Madeira) sejam abrigadas em prédios públicos e privados que estão desabitados ou em hotéis e pousadas, ou também um auxílio aluguel justo, o mais rápido possível para garantir o início das aulas, até que suas comunidades e moradias sejam totalmente reconstruídas. Para as famílias, deverá continuar a plena assistência com água potável e alimentação, alimentação, o transporte de seus pertences e o transporte escolar dos seus filhos.

Pautas estruturais:

Que os consórcios Energia Sustentável do Brasil (ESBR) e Santo Antônio Energia (SAE), concessionárias das Usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, respectivamente, o Estado, através dos governos federal, estadual e municipal garantam:

1) Remanejamento em terra firme dos atingidos e comunidades afetadas, com: lotes e casas adequados a cada perfil de família atingida, água tratada e encanada, energia, pontes e estradas;

2) Indenização pela perda da produção, dos equipamentos domésticos, moradias, móveis e outros pertences;

3) Construção, reparo ou remanejamento das obras públicas e comunitárias e do patrimônio histórico-cultural afetados pelas águas em lugares seguros;

4) Verba de manutenção mensal para todas as famílias atingidas de R$ 1.000,00 por pelo menos 12 meses, até as famílias se restabelecerem;

5) Cesta de alimento mensal para todas as famílias atingidas;

6) Condições dignas de alojamentos durante o período desalojado; moradias adequadas, casa de alvenaria, água tratada e encanada, energia, pontes e estradas;

7) Infraestruturas coletivas nestes locais: escolas, creche integral, posto de saúde, centro comunitário e área de lazer;

8) Remanejamento de todas as famílias atingidas pelos reservatórios das barragens de Jirau e Santo Antônio;

9) Perdão das dívidas dos pescadores e agricultores frente aos bancos financiadores e abertura de um novo crédito de fomento às atividades produtivas.

10) Viabilização de um Programa de Desenvolvimento com total participação da população atingida, de recuperação e desenvolvimento com aporte de dinheiro em boas condições, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Movimento dos Atingidos por Barragens.

Água e Energia com Soberania, Distribuição da Riqueza e Controle Popular!